
É preciso sentir para falar. Como falar de algo que nunca se experimentou?Ninguém conhece a dor de ninguém. Conhecer é sentir. As sensações causadas pela observação de um fato aterrorizante são diferentes de viver essa experiência. Conhecer a dor não é apenas observá-la.
Também é preciso olhar diferente para o passado, um olhar de cima, distante, não mais mergulhado (nos) conflitos. Mas como ter este olhar? Os caminhos eu sei, mas as chegadas me são desconhecidas, até porque, ainda não cheguei. Essas estradas nos preenchem de mágoa, de sofrimento, de egoísmo, de nuvens escuras que sufocam a claridade da alma. Estranho como uma noite foi capaz de mudar o rumo da minha vida. Começaram as dores, as revoltas, o arrependimento, mas também junto a elas a mudança.
Todos nós temos problemas piores ou maiores do que os dos outros, mas podemos superá-los. Fácil?Um processo demorado e árduo que devemos pensar apenas em prosseguir e não ansiarmos sua chegada. Porque num determinado momento me bateu uma terrível ansiedade de querer resolver logo o problema, mas tive que esperar anos e anos até que os pesadelos parassem.
A gente sempre aprende ou ensina algo, tira ou dá uma lição de cada história. Cada um tem sua história, cada um vive coisas diferentes, alguns não as enxergam outros sim, mas nunca do mesmo modo que nós percebemos. O olhar é sempre individual.
Os jovens se frustram rapidamente e reagem destas formas: primeiro ato, a fuga, o segundo, o desespero, o terceiro, o suicídio. Porque tantas doenças emocionais?Talvez porque somos egoístas para abrir a janela de nosso mundo e se conectar com os demais. Afinal, quantas vezes achamos que nosso problema é o maior de todos? Quando escutamos o problema do outro nos chocamos e refletimos, acontece a tal catarse de Aristóteles, sofremos, sentimos compaixão e expurgamos todos os sentimentos dolorosos, sim, é verdade, algo muda dentro a gente.
Mas não podemos julgar o outro sem saber da história, pois é ela que nos leva a ter atitudes que às vezes a gente desconhece. Mas podíamos julgar mesmo com as histórias em mãos? Contarei uma mistura de sangue, de sonho e de filosofia, uma parte de mim que talvez seja parte de vós, por afinidade ou por compaixão, e peço-vos apenas paciência.
A minha história começa com uma coisa simples, mas que foi capaz de mudar subitamente céu suave em nuvens pesadas, o dia em noite, o cheio num vazio imenso, e essa simples coisa foi o Cheiro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário